Com a situação analisada, ela estava decidida. Levava apenas uma mochila quase vazia, com uma garrafa de água, uma agasalho com capuz, algum dinheiro e o celular. Não que o último fosse ser necessário - era apenas para ouvir a sua voz, quando se sentisse sozinha.
- Alô?
- (...)
- Alô? Quem fala?
- (...)
- Alô? Eu não estou te ouvindo...
- Talvez por que eu não esteja falando.
- Ah, é você. Por que me ligou?
- Para ouvir a sua voz.
- Por que não desligou?
- Porque não ouvi o suficiente.
- E agora?
- Preciso ouvir pessoalmente.
- Venha até aqui.
- Não será mais possível. Estou indo embora, como sempre disse que iria.
E desligou. Caminhou até o sol se pôr. Sentou-se na grama e encostou-se em uma árvore.
Neste dia, só ligou mais uma vez. Insistia para que ela voltasse, mas foi tudo em vão. Ela não volta, nunca volta, apenas olha para a frente. Ela quer se esquecer do passado. Sem destino, com a mochila nas costas, ela caminha. Caminha, caminha, caminha...
When I awoke, I was on the highway.
