- Não gosto de me sentir assim.
- Assim como?
- Sempre esperando.
- O que?
- Não sei.
E naquele dia se foi um pouco mais cedo, apesar de que ter tempo de sobra para pensar não é uma coisa boa. A menina criara uma barreira interior, assim nunca poderia se curar. Não parece ter sido proposital, mas seus olhos tristes escondem muito mais do que se pode imaginar. Nunca é possível ter certeza se ela está sendo verdadeira ou não, apesar de tudo parecer tão real. Nada é real. Nada é...
- Você continua esperando?
- Sim.
- O que?
- Ainda não sei.
- E talvez não saiba até que pare de esperar.
- Como assim?
- Você espera que algo mude o rumo da sua vida, te leve para longe dessas vidas forçadas que parecem ser todas iguais. Espera que algo - ou alguém - possa te ensinar como não ser assim, como fugir desse padrão que te assombra como um fantasma, e te segue como a qualquer um. Espera que o arrependimento passe longe de você em qualquer situação e - mesmo que impulsivamente - faz com que todo dia aconteça algo novo e diferente, que faça-a dormir agradecendo por estar viva, por ter vivido aquele dia.
- Exatamente. É como se... Esperasse para ser completa. E enquanto isso não acontece, me distraio a cada dia. Engano-me, a fim de diminuir a dor. Finjo que está tudo bem, e por um momento sou feliz.
- Talvez não se complete até que pare de esperar.
- Como assim?
- Apenas viva. Sem pensar. Não espere que algo mude tudo. Mude você mesma. Ou não mude, aproveite do jeito que está. Olhe sempre o lado bom das coisas. Tenha apenas bons momentos, até nas piores situações. Ria. Sorria. Não tente ser tão perfeita. Não se arrependa do passado, não espere pelo futuro...
- (...)
- Presente. Não é a toa que esse é o nome.
Or die regretting the time you lost.
